O bom exemplo
Sempre achei que para educar e ensinar teria de primeiro dar um bom exemplo. Na maioria das vezes, ou na maioria dos assuntos, resultou bem.
Começando pelas discussões, nunca gostei de discussões, de gritos. Felizmente é raro acontecer cá em casa. Quando acontece, ele estranha logo, e pede para não falarmos alto.
As pastilhas elásticas eram para ser uma experiência mais tardia, mas certa vez, tinha ele uns cinco anos e vi a mãe de uma colega a dar-lhe uma, por sorte estava por perto, pedi que não desse porque ele não sabia "comer". Fui logo a seguir comprar duas pastilhas elásticas para "mastigar" com ele e dizer-lhe como aquilo funcionava. Felizmente é coisa que raramente pede.
Em relação à lavagem dos dentes: habituei-o de pequenino, quando ainda era eu que lhos escovava. Sofri tanto em pequena por não ter este ensinamento, que me dediquei a este assunto, desde cedo. Felizmente, hoje em dia, nem é preciso mandar, ele vai e sabe como é uma tarefa super importante.
De seguida, cá em casa ninguém fuma. Nem os parentes mais próximos! Ele tinha apenas 5 anos quando estávamos estacionados num parque de uma loja à espera do pai, era hora de sol posto, ele viu um senhor a fumar, e disse-me inocentemente: "olha mãe aquele senhor tem um chupa que brilha!" Quando ele mais tarde percebeu o que significava fumar, expliquei-lhe que fazia mal à saúde. Uma vez estava num parque a brincar com uma amiguinha, viu o pai desta a fumar, veio ter comigo, e em segredo pediu-me se eu podia ir avisar o senhor, que aquilo fazia mal à saúde. Respondi que ele sabia.
Recentemente quando vi na escola dele um menino com quem ele chegou a brincar e mais novo que ele a fumar, fiquei preocupada. Tivemos uma conversa com ele e dissemos que se alguma vez ele sentisse vontade de experimentar para nos pedir a nós e não fumar nada que lhe dessem. Garantiu-me que nunca fará isso. Mas nunca se sabe, a vida muda, as ideologias também podem mudar.
Outra coisa: sacos ecológicos. Ele nunca ou raramente me viu usar/comprar sacos de plásticos. Na escola, quando fazia trabalhos, de ciências sobre a matéria tinha em mente a lição, não só a estudava como a aplicava. Uma vez no supermercado a menina da caixa perguntou-me se queria saco, eu percebi que a pergunta era se tinha saco, então respondi que sim, e ele olhou para mim chocado e disse "Mãe, vais levar um saco plástico!?", respondi imediatamente que não!
Na mesma linha, não deita lixo para o chão, é capaz de percorrer uns metros até encontrar um caixote ou guardar os papéis ou outro lixo num bolso ou mochila até a casa. Em casa, separamos o lixo, e se, eu me descuido, e ele repara, aponta-me logo o melhor caminho!
Também é muito respeitoso para com os mais velhos, pois sempre lhe expliquei, que os avós eram humildes, que passaram muito, tal como as pessoas da idade deles.
Mais uma coisa: o respeito pelos animais. Sempre me viu tratar bem os animais. Tal como eu, defende-os, mesmo que sejam de rua, se vir alguém a judiar é capaz de intervir, e sendo ele tão tímido, é para mim comovente ver e perceber como tem tanta afeição e respeito por eles.
Na mesma linha, é contra a toda a violência contra eles, principalmente em touradas.
Em relação ás asneiras, cá em casa não somos muito de dizer asneiras, até entrar para a escola havia palavras que ele nem sabia que eram asneiras. Mas hoje em dia, confesso que por vezes me descuido e é ele que me alerta. Ele raramente o ouvi dizer um palavrão!
Defender ídolos, quando ele admira uma pessoa defende-a. Aqui há uns tempos estavam na imprensa a dar noticias de alguém que ele admirava, e dizia que não acreditava, que não devia ter sido bem assim. No final veio a ver-se e a pessoa estava inocente.
Também defende os amigos, aqueles que acha que conhece bem, e que serão amigos para sempre!
Em relação aos legumes. Cá em casa sempre gostei muito de sopa, de algumas saladas. Habituei-o desde pequeno, mas, nesta matéria, o exemplo não serviu de nada, ele detesta sopa, legumes!
Outro exemplo que não surtiu efeito, é o ter paciência para esperar, principalmente em filas. Sempre lhe disse para ter calma para saber esperar. Mas na escola, por exemplo, se a fila para o bar estiver muito grande, prefere não comer!
Nem tudo é perfeito, mas sei que será uma boa pessoa, bem formado, com bons princípios e valores. É muito correto, mas ao mesmo tempo ingénuo, porque sendo ele assim, julga que os outros também são. É aí que tento que ele entenda, que nem todas as pessoas são sérias!
Que ele seja feliz, honesto e equilibrado, é o que desejo e para isso que "trabalho"!

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